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 Sessão de Estudos

O Exercício do Poder nas Democracias Modernas

Casa das Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora das Vitórias - Apelação - Camarate   
23 e 24 de Fevereiro 2008  

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Objectivos

 
Procuramos reflectir sobre toda a realidade, sem programas de acção social, política ou eclesial, muito menos orientações de índole profissional; somos parte dessa realidade, dela partindo e a ela voltando, como esforço de compreensão aprofundada e abertura a empenhamento consequente.
(Linhas de Identidade do Metanoia).
 
As virtualidade dos sistemas democráticos, o acesso de toda a população à participação política, as tecnologias da comunicação e o acréscimo de consciência e participação cívica, são questões que queremos reflectir nesta Sessão de Estudos do Metanoia, na convicção de que a vivência da democracia assenta na radical igualdade e dignidade de todos os seres humanos e que, nessa medida, é um processo de permanente inclusão e participação, no reconhecimento de que a nossa liberdade e bem-estar individuais estão solidariamente interligados com a liberdade e o bemestar de todos os seres humanos.
 
 
1. George Steiner admirava-se, numa conferência proferida em Novembro na Fundação Gulbenkian em Lisboa, com o facto de a imensa multidão de pobres, dos marginalizados do desenvolvimento de todo o mundo, não se revoltar de forma mais violenta.
 
Ano após ano, os relatórios da ONU dão conta da imensa desigualdade entre os 20% mais ricos e os 20% mais pobres do mundo. E isto acorre mais de vinte anos depois da aplicação da doutrina liberal que prometia desenvolvimento e prosperidade com base no mercado livre e na institucionalização da democracia liberal.
 
A democracia, o voto universal, a separação de poderes, hoje aceites como princípios de organização política em muitos países do mundo, foram o resultado de duras lutas que se travaram no pressuposto de que o poder do povo contribuiria para esbater as desigualdades e forjar sociedades mais justas.
 
Nem no plano internacional, nem no nacional se confirma tal virtualidade dos sistemas democráticos. Apesar do progresso económico geral, persistem profundas desigualdades e subsiste, como sublinhou George Steiner, o sentimento de que ninguém faz nada quando ~Tmorrem diariamente pessoas à fome~T embora existam meios para o evitar. As condições que levam ao subdesenvolvimento e à fome de milhões de pessoas são, em grande parte, consequências de decisões políticas, isto é, de relações de dominação tanto no plano nacional como mundial, muitas vezes determinadas por interesses económicos influentes, sem uma efectiva explicitação, debate e tomada de decisão democráticos.
 
Um administrador de uma grande empresa ganha sozinho mais do que centenas ou milhares dos trabalhadores que emprega (ou desemprega). Em Conselho de Administração toma decisões que afectam a vida de milhares de pessoas, define os seus próprios vencimentos e as indemnizações quando é dispensado por maus resultados. Será que a actividade económica nas economias de mercado não é susceptível de controlo democrático?
 
2. Delegação não controlada do poder, poderes ocultos, complexidade técnica das decisões que não está ao alcance da maior parte dos cidadãos,manipulação/alienação das massas, desinteresse resultante da atomização até ao imite do tecido social~E tudo isto mina a convicção, longamente alimentada, de que o acesso de toda a população à participação política conduziria a sociedades mais equilibradas.
 
A institucionalização da democracia, significou um inegável avanço civilizacional, viabilizou a alternância no poder e limitou a violência, mas tem contribuído para uma participação política mais esclarecida e para a prossecução do bem comum?
 
Questões como a sustentabilidade da vida no planeta ou a reconfiguração dos direitos sociais e da solidariedade entre gerações devido ao envelhecimento das populações e ao desemprego dito estrutural nas sociedades ocidentais requerem um elevado nível de consciência e participação democrática, uma vez que a sua resolução ou atenuação implicará alterações nos padrões de vida de muitos cidadãos por estes entendidas como perdas face aos seus direitos. Não são temas que devam ser abordados em toda a sua extensão e complexidade nas campanhas eleitorais, sobretudo pelos partidos com vocação de poder. Serão objecto de decisões apresentadas como inevitáveis, quando já forem governo, de preferência na primeira fase da legislatura.
 
Nos EUA, a primeira condição para se ser nomeado como candidato à presidência por um dos dois partidos dominantes é angariar milhões de dólares junto das principais corporações económicas, e assim se constituem novas dinastias de detentores do poder. Em Portugal, governos de maioria absoluta degeneram em modelos de exercício do poder em que o debate, a concertação, o diálogo social, tendem a ser substituídos pela sobrevalorização da legitimidade democrática adquirida pelos votos. A sobreexposição mediática substitui a rigorosa preparação técnica e a séria prestação de contas. Persiste, mesmo entre os cidadãos mais informados, o sentimento de que muitas decisões políticas resultam de processos pouco escrutinados de tomada de decisão, gerando fundadas suspeitas quanto aos interesses que realmente servem.
 
3. A multiplicação dos canais de televisão cada vez mais interactivos, assim como a crescente utilização das novas tecnologias da comunicação, viabilizam uma rápida difusão da informação, um intenso debate político e novas formas de mobilização e participação. Supostamente deveriam contribuir para um maior controlo dos poderes por parte dos cidadãos. As novas tecnologias da informação requerem, como a imprensa escrita, o domínio de procedimentos críticos, complexos e e implicam disponibilidade, para não se tornarem numa cacofonia geradora de novas formas de alienação.
 
Já comprovaram as suas potencialidades para suscitar caminhos alternativos, favorecer debates consistentes, agregar vontades. Na acção política institucional, fundamentalmente partidária, continuam, no entanto, a ser utilizados mais para passar a mensagem que interessa do que para construir de forma participativa novas propostas.
 
Como podem as novas tecnologias da comunicação contribuir para um acréscimo de consciência e da participação cívica? Vale a pena conhecer alguns exemplos.
 
4. Estas são as questões que queremos reflectir na Sessão de Estudos 2008 do Metanoia - Movimento Católico da Profissionais, na convicção de que a vivência da democracia assenta na radical igualdade e dignidade de todos os seres humanos e que, nessa medida, é um processo de permanente inclusão e acrescida participação, no reconhecimento de que a nossa liberdade e bem-estar individuais estão, não em concorrência, mas solidariamente interligados com a liberdade e o bem-estar de todos os seres humanos.



Programa

 

Sábado, 23 de Fevereiro

 

12h00 - Recepção dos participantes.

13h00 Almoço.

14h30 Abertura da Sessão de Estudos e apresentação dos participantes

15h00 Painel
              Conquistas e limites dos sistemas democráticos modernos
           Comunicações de José Manuel Pureza e Jorge Wemans
           Debate, com moderação de Paula Cristina Santos

17h00 Pausa

17h30 Painel
              A democracia em acção
           Comunicações de Ulisses Garrido: Sindicalismo, democracia e justiça social
           e Céu Tostão: Novas tecnologias da comunicação - novas dinâmicas de construção social
           Debate, com moderação de José Maria Azevedo

20h00 Jantar

21h30 Serão

 

Domingo, 24 de Fevereiro

 

09h00 Pequeno-almoço

09h30 Reequacionar e aprofundar alguns tópicos seleccionados da véspera.
                   Avaliação da Sesão de Estudos

11h30 Pausa

12h00 Eucaristia

13h00 Almoço

14h00 Assembleia-geral do Metanoia


 
 
 

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