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A relevância do fenómeno religioso nas
sociedades contemporâneas requer um esforço de compreensão, de confronto
de perspectivas, de teorização que não se compadece com juízos
precipitados a partir de pontos de vista culturalmente enviesados.
Correntes migratórias massivas, que desde
meados do século XIX têm diversificado as sociedades, acentuadas pelo
processo de globalização mais recente, contribuíram para a ruptura da
homogeneidade cultural e religiosa, dando origem a processos de
integração e conflitualidade, em que a dimensão religiosa tem um papel
relevante.
Procura-se, nesta sessão de estudos, proporcionar elementos para a
compreensão do fenómeno religioso em sociedades plurais a nível étnico,
cultural e religioso:
Estarão as religiões aprisionadas por processos identitários
limitadores da liberdade de escolha, suscitando dinâmicas de conquista e
imposição da verdade ao serviço de projectos de dominação e poder?
Qual o significado das religiões para a vida das pessoas em sociedades
em que o sentido da vida e da morte deixou de ser monopólio de uma
religião dominante e em que coexistem diversas experiências religiosas e
outras instâncias de significação em concorrência?
Qual o papel dos Estados na regulação da diversidade religiosa,
ordenamento do tempo e espaços públicos e promoção da participação
cívica? Ou devem as religiões ser confinadas ao espaço privado?
Como podem as religiões contribuir para uma nova ordem internacional
orientada para a Justiça, a Paz e o desenvolvimento sustentável?
A relevância do fenómeno religioso nas sociedades contemporâneas requer
um esforço de compreensão, de confronto de perspectivas, de teorização
que não se compadece com juízos precipitados a partir de pontos de vista
culturalmente enviesados.
Sem iludir a complexidade desta problemática, propomo-nos com esta
sessão de estudos proporcionar informação e quadros de interpretação que
ajudem a situarmo-nos de forma fundamentada perante diferentes
experiências religiosas e a favorecer dinâmicas de encontro e mútua
interpelação na construção de uma sociedade mais livre e democrática e
de um mundo mais justo, solidário e sustentável.
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