Dia Mundial da Paz

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Graça Martins (2001)

 

            

            Neste primeiro dia do ano 2001, Dia Mundial da Paz, lembremos a mensagem de sua Santidade João Paulo II, em que é feito um convite à reflexão sobre o diálogo entre as diferentes culturas e tradições dos povos, sendo este o caminho para a edificação de um mundo reconciliado, capaz de viabilizar a construção de um futuro em que a formação humana e a identidade cultural sejam encaradas como elementos estruturantes de sociedades, que aceitam a diversidade e excluem as formas racistas e xenófobas.

            Apela-se à diversidade das culturas e ao respeito mútuo, ao diálogo como instrumento para a realização do Amor e da Paz; referem-se os riscos da comunicação global e da concentração dos poderes num número restrito de países, causadores de uma castradora perda de identidade dos países mais pobres.

Ao ler esta mensagem, não pude deixar de me lembrar do relatório “Cuidar o Futuro”, elaborado em 1996 pela Comissão Independente sobre População e Qualidade de Vida (ICPQL), presidida pela Eng. Maria de Lurdes Pintassilgo. Nele se referiam objectivos a serem prosseguidos pelas sociedades, com vista à construção de um mundo mais atento, acolhedor e respeitador dos direitos humanos. A saber.

·        “tornar a vida mais viável através da melhoria da saúde e da segurança, individuais e colectivas;

·        combater o flagelo da pobreza e da exclusão;

·        aumentar os níveis de alfabetização, educação e acesso à informação necessária;

·        racionalizar a produção e o consumo, adaptando-os aos recursos que o planeta pode continuar a oferecer – garantir a todos a justiça e a equidade, através da exploração e uso mais equilibrados destes recursos (p. ex. guardando uma parte maior dos lucros obtidos no país de origem e favorecendo uma  utilização mais sustentável);

·        desenvolver políticas mais efectivas de ajuda e assistência;

·        encontrar novos mecanismos de financiamento entre o Norte e o Sul;

·        cuidar de nós mesmos, dos nossos vizinhos e do meio  ambiente, no respeito pelos direitos que pertencem a toda a humanidade.”

Neste Dia Mundial da Paz, a mensagem de sua Santidade o Papa, apela para uma consciência do equilíbrio dos valores comuns – o da Solidariedade, o da Paz, o da Vida, o da Educação, o do Perdão e o da Reconciliação.

Este é o apelo Cristão como caminho para alcançar a Paz.

E pensemos ainda em tantos outros problemas que nos inquietam e relativamente aos quais é necessário tomar consciência. Também eles eram referidos, há seis anos atrás, no relatório da Comissão Internacional para a Qualidade de Vida e verificamos, com mágoa, que pouco tem sido conseguido no sentido de superar estas injustiças:

- o alargamento dos direitos das mulheres, particularmente no seu papel central de fertilidade, continua a encontrar a persistência de uma fraca vontade política dos governos e agências de financiamento a esse respeito , sobretudo nos países mais pobres;

- a subsistência da  enorme desigualdade entre Norte e Sul apesar da aceitação e da aplicação generalizada de um único modelo de desenvolvimento;

- o bloqueio ao acordo unânime sobre o princípio da sustentabilidade na relação com a natureza, pela lentidão excessiva na criação de tecnologias capazes de reduzirem a pressão sobre o ambiente e os prejuízos causados pelos países mais ricos aos países mais pobres, que não gozando do conforto da utilização de muitas das novas tecnologias, sofrem os  efeitos nefastos causados pela poluição e pelo aquecimento global.

Encontrar meios para alimentar, vestir, abrigar e proporcionar fontes de sustento, preservando , simultaneamente, o ambiente, é um enorme desafio à formulação de políticas, à aplicação dos recursos financeiros e ao desenvolvimento de recursos humanos.

Que fazemos, então, para além da constatação dos problemas, das desigualdades, do desrespeito das diferenças? É esse apelo ao diálogo e a uma actuação internacional concertada que é urgente.

Mobilizemos os jovens, pedras vivas da construção do futuro, e todos os homens e mulheres de bem  para a edificação de uma civilização do Amor. Lembremos o apelo do Evangelho para a “unidade originária da família humana, com fonte em Deus Pai, Filho e Espírito Santo”, unidade no respeito dos valores universais.

Concretizemos o  desenvolvimento  da capacidade de Cuidar o Outro, dentro da família, no seio da sociedade,  nos programas de governo relativos à segurança social.

Protejamos  a dignidade do indivíduo e o bem estar das comunidades e façamos destas preocupações um propósito firme de acção no início deste ano, século e milénio.

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